Tempo São Paulo, SP

Últimas Notícias

COP23 entrega o que prometeu, mas não o que precisamos

11/20
12:12 2017

Reação do Observatório do Clima à conclusão da conferência de Fiji, em Bonn



A 23a Conferência do Clima das Nações Unidas (COP23) chega a seu encerramento nesta sexta-feira (17) em Bonn cumprindo sua proposta inicial: foram aprovados diversos elementos para a construção, ao longo do próximo ano, do livro de regras que permitirá a implementação efetiva do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas. Também foi criado um ambiente positivo entre os países para o Diálogo Talanoa, no ano que vem, no qual deverá ser iniciado um esforço global de aumento de ambição. Infelizmente, porém, trata-se de sucessos pífios diante da escala da crise climática, que segue cada vez maior.



A COP23 foi bem-sucedida em evitar que o eterno racha entre países desenvolvidos e em desenvolvimento produzisse retrocessos na negociação internacional. Também conseguiu isolar os Estados Unidos, desfazendo o temor de que o governo negacionista de Doland Trump pudesse tentar atrapalhar o processo.



O Brasil chegou a Bonn tentando vender a imagem de bom moço com a queda na taxa de desmatamento, mas foi desmascarado rapidamente pelos atos do presidente Michel Temer em casa. Acabou levando um raro e merecido Fóssil do Dia pelos subsídios trilionários propostos ao pré-sal. No mesmo dia, se ofereceu para sediar a COP25, em 2019. Pode ser uma chance para o país reinserir o clima em sua agenda de desenvolvimento.



No entanto, os debates na COP23 passaram ao largo do que realmente importa: a necessidade de aumentar enormemente as metas de redução de emissões e de financiamento climático antes que a janela de oportunidade ainda aberta para limitar o aquecimento global a 1,5oC se feche. Segundo a ciência, a ambição coletiva precisa ser turbinada até 2020, mas os 195 membros da Convenção do Clima que permanecem fiéis ao Acordo de Paris até agora não se mostraram dispostos a botar as cartas na mesa. O blefe coletivo dos governos pode custar a segurança climática da humanidade neste século.



“A COP23 começou com o lema ‘mais longe, mais rápido, juntos’. Conseguiu entregar o ‘juntos’, o que é melhor que nada, mas não foi nem longe, nem rápido. Todas as expectativas agora ficam por conta da COP24, na Polônia, no ano que vem. O risco disso é enorme”, disse André Ferretti, gerente de Estratégias de Conservação da Fundação Grupo Boticário e coordenador-geral do Observatório do Clima.



“Vimos avanços importantes na regulamentação do Acordo de Paris, demonstrando alinhamento e comprometimento dos países. Entretanto ainda há uma lacuna muito grande entre os compromissos atuais e o que é necessário para entrar na rota do 1,5oC. Precisamos de mais ambição nas negociações, e muito mais ação prática nos países, onde as emissões ocorrem. O Brasil, em especial, continua tomando decisões políticas que vão na contramão dos objetivos do Acordo de Paris”, afirmou Maurício Voivodic, diretor-executivo do WWF Brasil.



“Em Bonn o a negociação internacional foi resgatada de uma possível reabertura do racha entre ricos e pobres países pobres. Só que, infelizmente, a atmosfera não está nem aí para nossos processos diplomáticos. O que precisamos agora é mais ambição em cortes de emissões e finanças, e isso esteve fora da mesa. Enquanto isso, a janela para prevenir o aquecimento global de 1,5 grau está se fechando rapidamente”, disse Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima.



“O Brasil é muito importante para as negociações, mas nossas atuais políticas internas, que ameaçam as florestas e seus povos e dão grandes subsídios para energias poluentes, são tudo de que o mundo não precisa neste momento. Assim, saímos desta conferência como o país do faça o que eu digo, não o que eu faço. Há algum tempo deixamos de ser um bom exemplo na questão climática e agora caminhamos para o lado negativo da história”, afirmou Márcio Astrini, coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil.


Fonte: Observatório do clima

 

 

Comentários (0)

Escreva um comentário





Comentários


Mais Notícias

Dia Mundial da Reciclagem Leia Mais!
Parceria reforça combate ao desmatamento Leia Mais!
Ibama desarticula grilagem na Terra Indígena Urubu Branco (MT) Leia Mais!
Países discutem proteção na Antártica Leia Mais!
Países atuam em defesa das aves migratórias Leia Mais!
Campanha quer Cerrado e Caatinga como patrimônios nacionais Leia Mais!
Coordenador da CODEAGRO recebe autora do livro “Gestão Pública de Resíduos Sólidos Urbanos” Leia Mais!
OMS mostra que 90% da população mundial respira ar poluído Leia Mais!
Workshop gratuito sobre edifícios sustentáveis Leia Mais!
Todos contra o desmatamento ilegal Leia Mais!
Renováveis avançam, mas otimismo com descarbonização cai Leia Mais!