Tempo São Paulo, SP

Últimas Notícias

Taxa de desmatamento cai, mas Temer segue vendendo a Amazônia

10/18
11:08 2017

Nota do Observatório do Clima sobre os dados de desmatamento de 2017, divulgados pelo governo federal nesta terça-feira



Às vésperas da votação de mais uma denúncia de corrupção contra o presidente Michel Temer no Congresso, o governo anunciou nesta terça-feira que a taxa de desmatamento na Amazônia caiu 16% em 2017, ficando em 6.624 quilômetros quadrados. A estimativa oficial do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) foi anunciada no Palácio do Planalto pelos ministros Sarney Filho (Meio Ambiente) e Gilberto Kassab (Ciência e Comunicações). O número é 70% maior do que determina a lei brasileira de clima, segundo a qual a devastação precisa cair a 3.900 quilômetros quadrados até 2020.



A desaceleração no desmatamento pode ser explicada em parte pela recomposição do orçamento do Ibama com recursos do Fundo Amazônia, o que permitiu a retomada da fiscalização em 2017, e em parte por fatores econômicos, como a queda do preço do boi.



Temer, porém, segue patrocinando o maior conjunto de retrocessos socioambientais da história recente do país, que incluem reduzir unidades de conservação para atender a grileiros, anistiar a grilagem, tentar legalizar invasões de terras indígenas e, nesta semana, dificultar a fiscalização do trabalho escravo – na Amazônia, intimamente relacionado ao desmatamento.



“A queda de 16% em 2017 não compensa a subida de mais de 50% nos dois últimos anos. Além disso, o governo Temer segue vendendo a Amazônia, o meio ambiente e os direitos dos povos tradicionais à bancada ruralista em troca de votos no Congresso para se safar de denúncias de corrupção. Enquanto isso permanecer, nenhuma queda na taxa de desmatamento é sustentável, e o Brasil seguirá botando em risco seus compromissos internacionais e o clima do planeta”, disse Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. Ele lembra, ainda, que os meses de agosto e setembro foram de intenso desmatamento na Amazônia, que se refletirá na taxa de 2018. O mês de setembro bateu o recorde absoluto mensal de queimadas no Brasil.



“A febre baixou, mas o paciente continua doente. A queda foi em parte devida à recessão. Houve queda de preço do gado. A pecuária é a principal causa do desmatamento”, disse Paulo Barreto, pesquisador do Imazon. “A taxa de 2017 foi 49% maior do que a de 2012, a mais baixa depois que outras medidas de controle foram tomadas. Precisamos acabar a febre – ou seja, zerar o desmatamento.”



“Adicionamos 6.624 quilômetros quadrados desmatados na Amazônia – somando tudo desde o início da série histórica, é uma Alemanha e um Portugal destruídos”, afirmou Paulo Moutinho, pesquisador sênior do IPAM. “Enquanto ficarmos comemorando as quedas das taxas, vamos fechar os olhos para o fato que estamos apenas destruindo florestas em um ritmo mais lento, mas a destruição continua.”



“Os números ainda são altos e mostram que precisamos caminhar muito ainda para atingir o compromisso assumido pelo Brasil, no âmbito do Acordo de Paris, de zerar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030. É assustador esperar mais 14 anos para zerar o desmatamento ilegal na Amazônia. Como nação, temos uma obrigação moral e estratégica acabar com essa degradação o quanto antes, e não somente na floreta amazônica, mas também nos demais biomas brasileiros, como o Cerrado”, afirmou André Ferretti, gerente na Fundação Grupo Boticário, coordenador geral no OC e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.


Fonte: Observatório do clima

 

 

Comentários (0)

Escreva um comentário





Comentários


Mais Notícias

Um Grito de Socorro, os Macacos não transmitem a Febre Amarela Leia Mais!
Evento discute recuperação de rios urbanos Leia Mais!
Secas extremas na Amazônia superam os impactos pelo desmatamento Leia Mais!
Especialistas debatem mudança do clima Leia Mais!
Falta de gelo deixa urso-polar sem energia Leia Mais!
Terra do Meio recebe 2 mil hectares em doação Leia Mais!
Campanha incentiva reciclagem de lâmpadas Leia Mais!
Consulta sobre novas UCs será nesta semana Leia Mais!
Ministério quer tornar rio Negro sítio Ramsar Leia Mais!
Aquecimento global pode ultrapassar 1,5°C em cinco anos, diz agência britânica Leia Mais!
Governo estrutura programa de conservação da linha da costa Leia Mais!