Tempo São Paulo, SP

JORNAL DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO

Últimas Notícias

Corredor ecológico não salva espécies do aquecimento global

10/10
12:23 2017

Investir em estratégias de conservação minimiza o impacto das alterações na atmosfera, mas não garante a sobrevivência de animais e vegetais, sugere modelo que avaliou 51 espécies na Europa



As mudanças climáticas representam um grande obstáculo a espécies que estão ameaçadas pela perda de habitat, mesmo quando submetidas a consagradas medidas de conservação, como corredores ecológicos, reforço da vegetação nativa e gerenciamento de áreas protegidas. As indicações são de um estudo publicado nesta segunda-feira (9) na revista científica Nature Climate Change.



De acordo com o biólogo Michael Kuttner, da Universidade de Viena, na Áustria, e um dos autores do estudo, todo o esforço de conservação pode ter efeito nulo diante das alterações causadas pelo aquecimento global. “As mudanças do clima transformam a atmosfera em um ritmo que as espécies não acompanham.”



Para chegar a essa conclusão, Kuttner e um grupo de cientistas austríacos criaram um modelo que mediu os esforços de conservação no comportamento de 51 espécies de plantas, borboletas e gafanhoto comuns na Europa Central. Eles avaliaram a perda de alcance regional e o risco de extinção nas condições climáticas atuais e em dois cenários de mudanças climáticas.



Eles também aplicaram três níveis de esforços de conservação: baixo, médio e alto. Resultado: esforços de conservação no nível mais elevado não foram suficientes para compensar a perda média induzida pela mudança climática em nenhuma das espécies. Quanto mais alto o cenário de aquecimento da Terra, pior para a biodiversidade analisada.



A situação mais foi crítica em espécies de vida curta, como borboletas e gafanhotos. “Animais que vivem pouco costumam ter um alto grau de especialização ecológica, o que torna a situação ainda mais complicada”, afirma Kuttner. “Uma frequência crescente de anos desfavoráveis, portanto, aumenta o risco de extinção local, especialmente em animais.”



O pesquisador reforçou que as medidas de conservação são essenciais para atenuar os efeitos negativos do aquecimento climático, mas alertou que elas não fazem milagre. “A eficiência é limitada. E modificar os habitats pode gerar consequências negativas imprevisíveis. O mais importante não é avançar com corredores, mas conter as emissões de gases de efeito estufa”. A biodiversidade é sensível e algumas espécies têm uma capacidade adaptativa pequena, segundo o diretor da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, Fabio Scarano. “Podemos perder parte das espécies sem que as conheçamos profundamente”, diz Scarano, que também é professor do departamento de Biologia da Universidade Fderal do Rio de Janeiro e foi coautor do último relatório do IPCC, o painel do clima da ONU.


Fonte: Observatório do clima

 

 

Comentários (0)

Escreva um comentário





Comentários


Mais Notícias

Brasil pode ter seu primeiro sítio misto reconhecido pela Unesco Leia Mais!
Governo diferenciará desmatamento legal do ilegal Leia Mais!
Perda de alimentos deixa países em alerta Leia Mais!
Mobilização global contra o lixo no mar Leia Mais!
Brasil e Portugal discutem gestão da costa Leia Mais!
Comissão aprova limites da Reserva da Biosfera do Cerrado Leia Mais!
Educação Ambiental oferece 20 mil vagas Leia Mais!
País defende avanços na agenda climática Leia Mais!
Integração para proteger as águas do país Leia Mais!
Em SC, países definem medidas para proteção de baleias Leia Mais!
Encontro discute revitalização de bacias Leia Mais!